Capítulo 51 — Operação e Gestão de Serviços
Este capítulo descreve o modelo operacional da Plataforma de Relacionamento Digital com o Cidadão após o go-live de cada tenant, abrangendo os processos, papéis, ferramentas e práticas que garantem disponibilidade, estab…
51.1 Objetivo do Capítulo
Este capítulo descreve o modelo operacional da Plataforma de Relacionamento Digital com o Cidadão após o go-live de cada tenant, abrangendo os processos, papéis, ferramentas e práticas que garantem disponibilidade, estabilidade, segurança e evolução contínua ao longo dos 60 meses da parceria.
A operação de uma plataforma multi-tenant de serviços públicos não se limita ao monitoramento técnico. Ela abrange: gestão de incidentes com impacto real em cidadãos, controle de mudanças que afetam múltiplos órgãos, operação de SLAs pactuados, resposta a eventos de segurança, manutenção preventiva e comunicação estruturada entre equipes e tenants.
51.2 Modelo Operacional
51.2.1 Visão Geral
A operação é exercida em camadas complementares com responsabilidades distintas:
PRODEMGE (Controladora e Proprietária da Plataforma)
│ Governança, SLA contratual, relacionamento com órgãos
│
Parceira Tecnológica (Operadora Técnica)
│ Operação, sustentação, evolução e suporte N2/N3
│
Administradores dos Tenants (Órgãos)
│ Operação funcional, configuração, usuários, N1 de atendimento
│
Usuários Operacionais dos Tenants
│ Uso cotidiano dos módulos funcionais
51.2.2 Princípios Operacionais
- Operação contínua — a plataforma opera 24/7; incidentes fora do horário comercial têm cobertura de plantão;
- Visibilidade em tempo real — o estado da plataforma é sempre observável: Centro de Comando, dashboards e alertas cobrem todos os componentes;
- Menor impacto possível — mudanças são planejadas para minimizar impacto em tenants; janelas de manutenção são comunicadas com antecedência;
- Blameless — incidentes são investigados para aprender e melhorar, não para culpar;
- Multi-tenant awareness — toda operação considera o impacto em múltiplos tenants; uma ação isolada não pode comprometer outros;
- Rastreabilidade — toda ação operacional relevante é auditada: quem, quando, o que e com qual impacto;
- Capacitação contínua — a equipe de operação mantém proficiência atualizada com as evoluções da plataforma.
51.3 Papéis Operacionais
| Papel | Responsabilidade | Localização |
|---|---|---|
| Platform SRE | Confiabilidade, SLOs, automação, on-call de plantão | Parceira |
| Platform Engineer | Infraestrutura, Kubernetes, pipelines, capacidade | Parceira |
| Application Support Engineer | Incidentes de aplicação, debugging, RCA | Parceira |
| Security Operations | Monitoramento de segurança, resposta a eventos de segurança | Parceira |
| Integration Specialist | Integrações externas, adaptadores, GOV.BR, SEI!MG | Parceira |
| Platform Operations Manager | Coordenação operacional, SLA, comunicação com PRODEMGE | Parceira |
| PRODEMGE Platform Officer | Governança, aceite de mudanças críticas, relacionamento com órgãos | PRODEMGE |
| Tenant Admin | N1 funcional, configurações do tenant, suporte a usuários internos | Órgão |
51.4 Centro de Comando
O Centro de Comando é a interface operacional centralizada para a equipe da Parceira e da PRODEMGE. Ele consolida em uma única visão o estado de saúde de todos os componentes da plataforma:
51.4.1 Visão de Saúde
┌──────────────────────────────────────────────────────────────┐
│ CENTRO DE COMANDO — PLATAFORMA │
│ │
│ Serviços de Domínio ●●●●●●●●●●●●●●●● [24/24 OK] │
│ API Gateway ● [OK] — p99: 145ms │
│ RabbitMQ ● [OK] — filas: 0 DLQ │
│ Bancos Operacionais ● [OK] — connections: 120/500 │
│ Redis ● [OK] — hit rate: 89% │
│ Integrações Externas ▲ [DEGRADED] — SEI!MG: timeout │
│ Data Lake ● [OK] — freshness: 8min │
│ AI Gateway ● [OK] — p95: 1.2s │
│ │
│ Tenants Ativos: 12 Incidentes Abertos: 1 │
│ Alertas Ativos: 3 Último Deploy: 12h atrás │
└──────────────────────────────────────────────────────────────┘
51.4.2 Ações Operacionais no Centro de Comando
- visualizar e navegar alertas ativos;
- acessar trilha de auditoria de operações críticas;
- reprocessar DLQs com autorização;
- ativar ou desativar kill switch de capacidade de IA;
- suspender tenant em caso de incidente de segurança;
- iniciar diagnóstico de integração específica;
- acompanhar progresso de deploys em curso.
51.5 Gestão de Incidentes
51.5.1 Classificação de Severidade
| Severidade | Critério | SLA de Resposta | SLA de Resolução |
|---|---|---|---|
| SEV-1 (Crítico) | Plataforma indisponível para todos os tenants ou violação de dados confirmada | 15 minutos | 4 horas |
| SEV-2 (Alto) | Funcionalidade principal indisponível para um ou mais tenants; degradação severa | 30 minutos | 8 horas |
| SEV-3 (Médio) | Funcionalidade parcialmente degradada; workaround disponível | 2 horas | 24 horas |
| SEV-4 (Baixo) | Problema de performance ou cosmético; sem impacto operacional | 8 horas | 5 dias úteis |
51.5.2 Ciclo de Vida do Incidente
Detecção (alerta automático ou reporte)
│
Classificação de Severidade
│
Notificação da equipe on-call (PagerDuty ou equivalente)
│
Abertura de incidente com identificador único
│
Comunicação inicial às partes afetadas
│
Investigação e diagnóstico
│
Ações de contenção (se possível antes da resolução)
│
Resolução
│
Validação de restauração
│
Comunicação de encerramento
│
Postmortem (SEV-1 e SEV-2 obrigatório; SEV-3 opcional)
51.5.3 Comunicação Durante o Incidente
Para SEV-1 e SEV-2, a comunicação segue cronograma predefinido:
| Momento | Ação |
|---|---|
| Detecção | Notificação ao on-call e abertura do incidente |
| 15 min | Primeira atualização à PRODEMGE e tenants afetados |
| A cada 30 min | Atualização de status enquanto em resolução |
| Resolução | Comunicação de encerramento com impacto e ação tomada |
| 48-72h | Comunicado de postmortem com causa raiz e ações preventivas |
51.5.4 War Room
Para SEV-1, o War Room é ativado imediatamente: canal de comunicação dedicado, papéis definidos (incident commander, technical lead, communication lead), acesso ao Centro de Comando e logs em tempo real.
O Incident Commander coordena; o Technical Lead executa; o Communication Lead mantém stakeholders informados. Ninguém age sem coordenação do Incident Commander.
51.5.5 Postmortem
O postmortem é um documento blameless produzido após SEV-1 e SEV-2. Contém:
- linha do tempo do incidente;
- causa raiz identificada;
- impacto: tenants afetados, duração, funcionalidades indisponíveis;
- o que funcionou bem na resposta;
- o que pode ser melhorado;
- ações preventivas com responsável e prazo.
O postmortem é revisado pela PRODEMGE e alimenta o processo de melhoria contínua.
51.6 Monitoramento e Alertas
O monitoramento é detalhado no Capítulo 41 (Observabilidade e Monitoramento). Este capítulo descreve como o monitoramento se integra à operação de serviços.
51.6.1 Alertas Acionáveis
Todo alerta em produção é acionável — tem um responsável, um runbook e uma ação esperada. Alertas sem runbook ou sem ação conhecida são revisados e eliminados do conjunto de alertas ativos (redução de alert fatigue).
Um alerta que dispara mas não demanda ação deve ter seu threshold revisto ou ser removido.
51.6.2 On-Call
A equipe de plantão (on-call) é definida em escala rotativa:
| Turno | Cobertura | Perfil |
|---|---|---|
| Horário Comercial | 08h–18h, dias úteis | Platform SRE + Application Support |
| Extended Hours | 18h–22h, dias úteis | Platform SRE rotativo |
| After Hours / Finais de Semana | 22h–08h e fins de semana | Platform SRE plantão |
O plantão recebe o contexto do incidente anterior, o estado atual dos alertas ativos e os deploys realizados nas últimas 24 horas como parte do handover de turno.
51.6.3 Runbooks
Runbooks documentam a resposta a cenários operacionais específicos:
- Runbook: serviço de domínio com taxa de erro acima do threshold
- Runbook: fila RabbitMQ acumulando sem consumidor
- Runbook: integração SEI!MG com timeout recorrente
- Runbook: queda de disponibilidade do AI Gateway
- Runbook: Data Lake com freshness vencida
- Runbook: certificado TLS próximo ao vencimento
- Runbook: banco de dados com pool de conexão saturado
- Runbook: tentativas de acesso cross-tenant detectadas
Runbooks são testados periodicamente em exercícios de simulação.
51.7 Gestão de Mudanças
51.7.1 Categorias de Mudança
| Categoria | Exemplos | Aprovação | Janela |
|---|---|---|---|
| Padrão | Atualização de imagem, correção de configuração sem impacto | Automática (pipeline) | Contínua |
| Normal | Nova funcionalidade, atualização de dependência, mudança de configuração com impacto | Revisão técnica + PRODEMGE | Fora de pico |
| Emergencial | Correção de vulnerabilidade crítica, rollback após incidente | Aprovação verbal + registro posterior | Imediata |
51.7.2 Change Advisory Board (CAB)
Mudanças normais são revisadas em reunião semanal do CAB, com participação de:
- Platform Operations Manager (Parceira);
- PRODEMGE Platform Officer;
- representante técnico da área afetada.
O CAB aprova, rejeita ou solicita ajustes. Mudanças aprovadas entram no backlog de deploy.
51.7.3 Comunicação de Mudanças
Para mudanças com impacto perceptível nos tenants:
| Antecedência | Comunicação |
|---|---|
| 7 dias | Comunicado formal aos administradores dos tenants afetados |
| 2 dias | Lembrete com janela de manutenção e impacto esperado |
| 1 hora | Aviso de início da janela (banner no Painel do Gestor) |
| Conclusão | Comunicado de encerramento com resultado |
51.7.4 Janelas de Manutenção
As janelas de manutenção planejadas são definidas no início de cada mês para o mês seguinte, com horários fora do pico de operação dos órgãos. Mudanças emergenciais podem ocorrer fora da janela planejada; são comunicadas com a menor antecedência viável.
51.8 Gestão de Releases
51.8.1 Cadência de Releases
| Tipo | Frequência | Conteúdo |
|---|---|---|
| Patch | Contínuo (CI/CD) | Correções de bug sem mudança funcional |
| Minor | Quinzenal | Novas funcionalidades, melhorias de performance |
| Major | Trimestral | Mudanças arquiteturais, novas capacidades significativas |
51.8.2 Processo de Release
Feature concluída em branch
│
Pull Request + Code Review + testes unitários
│
Pipeline CI: SAST, SCA, container scanning, testes de integração
│
Deploy em Integration
│
Testes de integração automatizados (incluindo isolamento multi-tenant)
│
Deploy em Homologation
│
Validação funcional com PRODEMGE
│
Aprovação de release
│
Deploy em Produção (blue-green ou canary)
│
Monitoramento da janela de deploy
│
Rollback automático se métricas degradam
│
Release notes publicados + materiais de capacitação atualizados
51.8.3 Release Notes
Release notes são publicados na Central de Conhecimento antes do deploy em produção. Incluem:
- versão e data;
- novas funcionalidades por módulo;
- correções de bug relevantes;
- mudanças de comportamento que podem afetar usuários;
- impacto por perfil (atendente, administrador, cidadão);
- itens a observar nos primeiros dias após o deploy.
51.9 Gestão de Capacidade
51.9.1 Monitoramento de Capacidade
A equipe de operação monitora tendências de crescimento de:
- número de tenants e usuários ativos;
- volume de solicitações, atendimentos e eventos;
- storage consumido por tenant;
- consumo de tokens de IA por capacidade;
- uso de recursos de Kubernetes (CPU, memória, pods);
- tamanho do Data Lake e taxas de ingestão.
51.9.2 Planejamento de Capacidade
Mensalmente, a equipe produz projeção de capacidade para os 3 meses seguintes. Quando a projeção indica necessidade de expansão de infraestrutura (novos nós, storage adicional, upgrades de banco), a PRODEMGE é informada com pelo menos 60 dias de antecedência para planejamento orçamentário.
51.9.3 Limites por Tenant
Limites de uso por tenant (storage, usuários, tokens de IA) são monitorados pela plataforma. Alertas são enviados ao administrador do tenant e à PRODEMGE quando o uso atinge 80% e 95% do limite. O comportamento ao atingir o limite é descrito no Capítulo 30 (Gestão Multi-Tenant).
51.10 Gestão de Configuração
A gestão de configuração é detalhada no Capítulo 58. No contexto operacional, os princípios aplicados são:
- Infrastructure as Code — toda configuração de infraestrutura é declarativa e versionada;
- Configuração em cofre de segredos — credenciais e segredos nunca em arquivos de configuração versionados;
- Imutabilidade — configurações de produção não são alteradas manualmente; toda mudança passa pelo pipeline;
- Rastreabilidade — alterações de configuração são auditadas com autor, data e motivo.
51.11 Gestão de Vulnerabilidades
51.11.1 Detecção
Vulnerabilidades são detectadas por:
- SCA no pipeline CI (dependências com CVE conhecidos);
- container scanning na build (vulnerabilidades em imagens base);
- DAST no ambiente de integração;
- monitoramento de boletins de segurança (NVD, CISA, fabricantes);
- relatos da equipe de operação e da PRODEMGE.
51.11.2 Triagem e Priorização
| Severidade CVSS | Tempo máximo de remediação |
|---|---|
| Critical (9.0–10.0) | 24 horas (patch emergencial) |
| High (7.0–8.9) | 7 dias |
| Medium (4.0–6.9) | 30 dias |
| Low (0.1–3.9) | 90 dias ou próximo release |
51.11.3 Processo de Remediação
Vulnerabilidades críticas e altas são tratadas como mudanças emergenciais: atualização da dependência ou imagem, novo build, validação no ambiente de integração, deploy em produção com monitoramento intensivo.
51.12 Gestão de Backups e Continuidade
A estratégia completa de backup e recuperação de desastre é detalhada no Capítulo 47. No contexto operacional:
- backups são executados de forma automatizada e monitorados;
- alertas detectam falha de backup antes do próximo ciclo;
- restore tests são executados mensalmente em ambiente de integração;
- o RPO e o RTO por componente são monitorados e reportados à PRODEMGE trimestralmente.
51.13 Relatórios Operacionais
51.13.1 Relatório Semanal de Operação
Produzido semanalmente pela Parceira e enviado à PRODEMGE:
- disponibilidade por serviço e por tenant na semana;
- incidentes abertos e fechados com severidade e duração;
- status dos postmortems em elaboração;
- deploys realizados com resultado;
- alertas mais frequentes (top 5);
- tendências de capacidade relevantes;
- vulnerabilidades em triagem.
51.13.2 Relatório Mensal de Desempenho
Produzido mensalmente para revisão com a PRODEMGE:
- cumprimento dos SLAs contratuais por indicador;
- incidentes do mês por severidade com análise de tendência;
- releases entregues vs. planejados;
- métricas de qualidade do código (cobertura de testes, débito técnico);
- status dos postmortems e ações preventivas;
- uso de capacidade vs. limites;
- atualizações do roadmap do próximo mês.
51.13.3 Revisão Trimestral de Operação (QBR)
Revisão trimestral com gestores da PRODEMGE e da Parceira:
- SLA acumulado do trimestre;
- análise de tendências de incidentes e capacidade;
- evolução do produto: funcionalidades entregues e próximas;
- satisfação dos órgãos (pesquisa periódica);
- riscos operacionais identificados;
- ajustes contratuais se necessário.
51.14 Comunicação Estruturada
51.14.1 Canais de Comunicação Operacional
| Canal | Uso | Audiência |
|---|---|---|
| Portal de Status | Disponibilidade em tempo real, incidentes, manutenções | Público + tenants |
| E-mail operacional | Comunicados de mudança, incidentes SEV-1/2, manutenções | Administradores de tenants |
| Painel do Gestor (banner) | Comunicados imediatos durante uso | Usuários logados |
| Reunião semanal | Revisão de incidentes e releases | Equipe técnica PRODEMGE |
| Canal dedicado (Slack/Teams) | Comunicação em tempo real durante incidentes | Equipes operacionais |
51.14.2 Portal de Status
O Portal de Status é uma página pública que exibe:
- status atual de cada componente da plataforma (Operacional, Degradado, Indisponível);
- incidentes em andamento com atualizações em tempo real;
- histórico de incidentes dos últimos 90 dias;
- manutenções planejadas com janela e impacto esperado.
O Portal de Status é atualizado durante incidentes conforme o cronograma de comunicação definido em 51.5.3.
51.15 Operação de Integrações
51.15.1 Monitoramento de Integrações
Cada integração com sistema externo tem monitoramento específico:
- disponibilidade (circuit breaker state);
- latência média e P95 por operação;
- taxa de sucesso, falha técnica e falha de negócio;
- volume de mensagens em DLQ por integração;
- alertas quando degradação ultrapassa threshold.
51.15.2 Resposta a Degradação de Integração
Quando uma integração externa degrada:
- circuit breaker abre automaticamente (proteção da plataforma);
- alerta notifica a equipe de operação;
- diagnóstico: falha na integração ou no sistema externo?
- comunicação ao tenant afetado se o impacto é perceptível;
- contato com o responsável pelo sistema externo (GOV.BR, PRODEMGE Infraestrutura, órgão);
- retomada: circuit breaker testado antes de reabrir;
- registro no relatório de operação.
51.15.3 Reprocessamento de DLQ
O reprocessamento de mensagens em DLQ é uma ação operacional controlada:
- identificar a causa raiz antes de reprocessar;
- verificar idempotência do consumer;
- reprocessar em taxa controlada (não em burst);
- monitorar resultado de cada mensagem reprocessada;
- registrar a operação em auditoria.
Reprocessamento em produção sem análise prévia é vedado.
51.16 Operação Segura
51.16.1 Acesso à Produção
O acesso à infraestrutura de produção é restrito, auditado e proporcional à necessidade:
- acesso JIT (Just-In-Time) para operações pontuais;
- credenciais temporárias com escopo limitado;
- todo acesso registrado em auditoria;
- revisão periódica de acessos com perfil operacional;
- nenhum acesso permanente de escopo amplo para uso rotineiro.
51.16.2 Separação de Ambientes
Dados de produção nunca são copiados para desenvolvimento ou homologação sem autorização e sanitização. Operações de debug em produção são feitas por logs e traces — sem acesso direto a dados de cidadãos ou tenants.
51.16.3 Eventos de Segurança
Eventos de segurança detectados (tentativa de acesso cross-tenant, anomalia de autenticação, comportamento suspeito de API) são tratados como incidentes com protocolo próprio:
- notificação imediata ao Security Operations;
- isolamento do contexto afetado (tenant ou usuário) quando necessário;
- notificação à PRODEMGE conforme a gravidade;
- registro e análise forense preservada;
- notificação ao titular/órgão quando exigida pela LGPD.
51.17 Indicadores de Operação
| Indicador | Meta | Frequência |
|---|---|---|
| Disponibilidade da plataforma | ≥ 99,5% mensal | Contínua |
| MTTR (Mean Time to Recover) | ≤ 4h para SEV-1 | Por incidente |
| MTBF (Mean Time Between Failures) | Tendência crescente | Mensal |
| Deploy com rollback | ≤ 2% dos deploys | Por release |
| Backups bem-sucedidos | 100% | Diária |
| Vulnerabilidades críticas abertas > 24h | Zero | Contínua |
| Alertas sem runbook | Zero | Semanal |
| Postmortems entregues no prazo | 100% | Por incidente |
51.18 Rastreabilidade com o Edital
| Item | Atendimento |
|---|---|
| PNR — Seção 3.4.4 (Suporte e Sustentação) | Modelo operacional multi-nível, monitoramento contínuo, gestão de incidentes, SLA |
| PNR — Seção 4.1.19 (Operação) | Responsabilidade da Parceira com governança da PRODEMGE |
| ANX-III Bloco 6 | Infraestrutura, monitoramento, segurança operacional, continuidade |
| ANX-V — Sustentabilidade | Postmortems blameless, gestão de mudanças controlada, runbooks testados |
51.19 Riscos e Mitigações
| Risco | Consequência | Mitigação |
|---|---|---|
| Incidente SEV-1 sem cobertura de plantão | Tempo de resposta excedido; impacto prolongado | On-call 24/7 com escala rotativa e redundância |
| Mudança em produção sem aprovação | Instabilidade; impacto em múltiplos tenants | Pipeline obrigatório; mudanças manuais bloqueadas tecnicamente |
| Alerta sem runbook | Operador não sabe como responder | Runbook obrigatório por alerta; alertas sem runbook são removidos |
| Degradação de integração sem comunicação | Tenant operando em estado inconsistente sem saber | Monitoramento de integração com comunicação automática ao tenant afetado |
| Reprocessamento de DLQ sem análise | Duplicidade ou erro de negócio amplificado | Processo formal de autorização e análise antes de reprocessar |
| Acesso de suporte irrestrito a dados de tenant | Violação de privacidade | Acesso JIT com escopo limitado ao incidente; auditoria completa |
| Capacidade não planejada | Degradação por falta de recursos | Projeção mensal de capacidade com 60 dias de antecedência |
51.20 ADRs
| ADR | Tema |
|---|---|
| ADR-1518 | Ferramenta de on-call e escalation (PagerDuty vs. alternativas) |
| ADR-1519 | Cadência de releases — frequência e critérios de major/minor/patch |
| ADR-1520 | Change Advisory Board — composição e frequência |
| ADR-1521 | Portal de Status — tecnologia e política de atualização |
| ADR-1522 | Acesso JIT à produção — tecnologia e política |
| ADR-1523 | War Room — canal e ferramentas de comunicação de incidente |
51.21 Considerações Finais
A operação de uma plataforma multi-tenant de serviços públicos é fundamentalmente diferente da operação de um sistema monolítico para um único cliente. Cada incidente tem potencial de impactar múltiplos órgãos e milhares de cidadãos simultaneamente. Cada mudança mal gerida pode afetar tenants que não estavam sequer cientes de que havia um deploy.
É exatamente por isso que os processos descritos neste capítulo — gestão estruturada de incidentes, controle de mudanças com aprovação, capacidade planejada com antecedência e comunicação proativa — não são burocracia. São os controles que permitem que a plataforma cresça em número de tenants e em volume sem crescer proporcionalmente em risco operacional.
O Capítulo 52 detalha a Sustentação e Suporte Técnico.
51.22 Controle de Versão
| Campo | Valor |
|---|---|
| Documento | Documento Mestre — Plataforma de Relacionamento Digital com o Cidadão |
| Capítulo | 51 — Operação e Gestão de Serviços |
| Versão | 1.0 |
| Situação | Concluído |
| Última atualização | 15/07/2026 |
51.23 Rastreabilidade PRODEMGE
- [PNR] Seção 3.4.4 — Suporte Técnico e Sustentação: atendimento a incidentes, monitoramento, correção de falhas, gestão de SLA, suporte em múltiplos níveis.
- [PNR] Seção 4.1.19 — Operação como responsabilidade da Parceira com apoio e governança da PRODEMGE.
- [ANX-III] Bloco 6 — Infraestrutura, Segurança e Governança: monitoramento contínuo, gestão de incidentes, controle de mudanças, continuidade operacional.
- [ANX-V] — Sustentabilidade: postmortems blameless para melhoria contínua, runbooks testados, gestão de mudanças controlada, capacidade planejada.
- [EDITAL] — Edital CP001/2026: plataforma com modelo operacional definido, cobertura de on-call, SLAs pactuados e processos de incidente estruturados.
Capítulo 50 — Capacitação e Transferência de Conhecimento
Este capítulo descreve o programa de capacitação e transferência de conhecimento da Plataforma de Relacionamento Digital com o Cidadão, abrangendo as estratégias, os públicos, os formatos, os conteúdos e os processos que…
Capítulo 52 — Sustentação e Suporte Técnico
Este capítulo descreve o modelo de sustentação e suporte técnico da plataforma ao longo do ciclo de vida da parceria. O suporte técnico não é uma camada acessória — é o mecanismo pelo qual a plataforma mantém sua qualida…