Relacionamento Digitalcom o Cidadão
Parte VIII — Gestão
Parte VIII — GestãoCapítulo 60

Capítulo 60 — Gestão de Riscos

Este capítulo define o framework de gestão de riscos da parceria entre a PRODEMGE e a Parceira Tecnológica ao longo dos sessenta meses de vigência do Contrato de Parceria para a Plataforma de Relacionamento Digital com o…

60.1 Objetivo

Este capítulo define o framework de gestão de riscos da parceria entre a PRODEMGE e a Parceira Tecnológica ao longo dos sessenta meses de vigência do Contrato de Parceria para a Plataforma de Relacionamento Digital com o Cidadão.

A gestão de riscos não é um exercício pontual de preenchimento de formulários. É um processo contínuo, estruturado e bilateral que identifica, qualifica, trata e monitora as ameaças e oportunidades capazes de impactar os objetivos da parceria — técnicos, operacionais, financeiros, jurídicos e estratégicos. Em uma parceria de cinco anos com dezenas de órgãos públicos como tenants, uma plataforma em evolução contínua e obrigações contratuais com nível de serviço definido, riscos não gerenciados acumulam e se manifestam como incidentes, inadimplências contratuais e rupturas de relacionamento.

O framework descrito neste capítulo opera como o sistema nervoso da gestão da parceria: coleta sinais do ambiente técnico e de negócio, os processa em registros formais com classificação e responsável, e aciona respostas proporcionais antes que os riscos se materializem em impactos. Ele integra todos os demais processos de gestão definidos nos Capítulos 56 a 62 e fornece o contexto de risco que informa as decisões tomadas nas instâncias de governança.


60.2 Contexto

O Plano de Negócio Referencial (Anexo I do Chamamento) estabelece explicitamente que a PRODEMGE e a Parceira deverão adotar medidas proativas de mitigação de riscos, com revisão e atualização regular das estratégias de mitigação, comunicação aberta e colaborativa sobre qualquer novo risco identificado, e revisão anual — ou mais frequente quando necessário — das estratégias vigentes. A Minuta de Contrato (Anexo VII, Cláusula 10) prevê a Matriz de Riscos como instrumento contratual formal, com alocação de responsabilidade de cada risco entre as partes e vedação expressa à celebração de aditivos para recomposição de equilíbrio econômico-financeiro em eventos alocados à Parceira.

A Cláusula 10.1 determina que os riscos identificados por ambas as partes sejam alocados na Matriz de Riscos em Anexo ao Contrato. A gestão de riscos descrita neste capítulo é a operacionalização viva dessa Matriz: não é apenas o registro estático de riscos identificados no momento da assinatura, mas o processo que mantém a Matriz atualizada e ativa ao longo de toda a vigência.

Os riscos da parceria não são monolíticos. Eles se manifestam em dimensões distintas — risco técnico de plataforma, risco operacional de serviço, risco de negócio e adoção, risco financeiro, risco jurídico e de conformidade, risco de relacionamento e risco externo — e requerem responsáveis, cadências de avaliação e respostas diferenciadas. O framework deste capítulo organiza essa diversidade sem fragmentá-la: há um Registro de Riscos unificado da parceria, mas com visões, responsáveis e processos diferenciados por dimensão.


60.3 Escopo

O framework cobre todos os riscos com capacidade de impactar os objetivos da parceria, incluindo:

  • riscos técnicos da plataforma: disponibilidade, segurança, performance, integrações, dívida técnica;
  • riscos operacionais: incidentes, descumprimento de SLA, falhas de processo, capacidade insuficiente de suporte;
  • riscos de negócio e adoção: baixa adesão de órgãos, maturidade digital insuficiente dos tenants, dependência do ciclo orçamentário público;
  • riscos financeiros: variação de volumetria de UST, sustentabilidade econômico-financeira da parceria, inadimplência;
  • riscos jurídicos e de conformidade: violações de LGPD, litígios sobre propriedade intelectual, mudanças regulatórias;
  • riscos de parceria e relacionamento: desalinhamento entre as partes, lacunas de responsabilidade, sobrecarga de um lado, capacidade de entrega abaixo do comprometido;
  • riscos externos: mudanças no ambiente político-institucional, eventos climáticos ou de infraestrutura com impacto nos data centers, obsolescência de tecnologias adotadas.

Não são escopo deste capítulo: a gestão de incidentes operacionais já materializados — que é tratada nos Capítulos 51 e 52 —; a gestão de mudanças — tratada no Capítulo 59 —; e os mecanismos técnicos de continuidade e recuperação de desastre — tratados no Capítulo 47. Este capítulo trata do risco antes da sua materialização. Os demais capítulos tratam da resposta após a materialização.


60.4 Princípios do Framework

O framework de gestão de riscos da parceria é regido pelos seguintes princípios:

Proatividade. Riscos são identificados e tratados antes de se materializarem em impactos. A postura reativa — registrar o risco apenas após o incidente — é incompatível com uma parceria de missão pública com SLAs contratuais.

Bilateralidade. Qualquer das partes pode identificar e registrar um risco. A responsabilidade de comunicação imediata de novos riscos ou mudanças relevantes em riscos existentes é obrigação de ambas as partes, conforme o Plano de Negócio Referencial.

Proporcionalidade. Os controles aplicados a cada risco são proporcionais à sua exposição (probabilidade × impacto). Riscos de baixa exposição não recebem o mesmo tratamento que riscos críticos — o framework não nivela por excesso de processo.

Rastreabilidade. Todo risco tem registro formal com identificador único, responsável nominal, estratégia de resposta documentada e histórico de revisões. A ausência de registro é tratada como lacuna de governança.

Integração. O Registro de Riscos da parceria é insumo direto das reuniões de governança (Capítulo 56), do planejamento de projetos (Capítulo 57), do processo de mudanças (Capítulo 59) e da Matriz de Responsabilidades (Capítulo 61). Riscos não integrados aos demais processos são riscos que não serão tratados.

Revisão contínua. O Registro de Riscos é documento vivo. A frequência mínima de revisão é mensal para os riscos de exposição alta, trimestral para os de exposição média, e semestral para os de exposição baixa. Eventos relevantes — incidentes graves, mudanças contratuais, novos tenants, atualizações regulatórias — acionam revisões extraordinárias independentemente do calendário.


60.5 Taxonomia de Riscos

60.5.1 Dimensões de Risco

O framework classifica os riscos em seis dimensões:

CódigoDimensãoExemplos
TECTécnica de PlataformaDisponibilidade, segurança, performance, integrações, dívida técnica
OPEOperacional de ServiçoDescumprimento de SLA, falhas de suporte, cobertura de on-call, capacidade
NEGNegócio e AdoçãoBaixa adesão, maturidade digital de tenants, ciclo orçamentário, volumetria
FINFinanceiraSustentabilidade da parceria, inadimplência, variação de receita
JURJurídica e ConformidadeLGPD, propriedade intelectual, regulação setorial, auditoria pública
PARParceria e RelacionamentoDesalinhamento entre partes, lacunas de responsabilidade, entrega abaixo do comprometido
EXTExternaPolítico-institucional, infraestrutura, regulação, obsolescência tecnológica

60.5.2 Escala de Probabilidade

NívelDescriçãoCritério
1 — ImprovávelOcorrência muito raraSem histórico análogo; requer conjunção de fatores excepcionais
2 — BaixaOcorrência infrequenteHistórico raro; condições adversas necessárias mas não prováveis
3 — MédiaOcorrência possívelPode ocorrer em condições normais ao longo da vigência
4 — AltaOcorrência provávelHistórico recorrente em contextos similares; condições frequentes
5 — Quase CertaOcorrência esperadaPraticamente inevitável sem intervenção ativa

60.5.3 Escala de Impacto

NívelDescriçãoCritério
1 — InsignificanteImpacto negligenciávelSem efeito mensurável nos objetivos da parceria
2 — BaixoImpacto menorDesvio leve; corrigível sem escalação ou custo relevante
3 — ModeradoImpacto relevanteDesvio que exige ação formal; impacto em SLA ou entrega
4 — AltoImpacto significativoCompromete objetivos de um ou mais trimestres; impacto em múltiplos tenants
5 — CríticoImpacto severoCompromete a continuidade da parceria ou gera dano irreversível

60.5.4 Matriz de Exposição

A Exposição ao Risco é calculada pelo produto Probabilidade × Impacto, resultando em um valor de 1 a 25 que determina a faixa de tratamento obrigatório:

                    IMPACTO
               1      2      3      4      5
           ┌──────┬──────┬──────┬──────┬──────┐
         5 │  5   │  10  │  15  │  20  │  25  │ CRÍTICO
         4 │  4   │   8  │  12  │  16  │  20  │
P      3   │  3   │   6  │   9  │  12  │  15  │
R      2   │  2   │   4  │   6  │   8  │  10  │
O      1   │  1   │   2  │   3  │   4  │   5  │ BAIXO
B          └──────┴──────┴──────┴──────┴──────┘

Exposição 1–4:   BAIXA      → Aceitação; revisão semestral
Exposição 5–9:   MODERADA   → Monitoramento; revisão trimestral
Exposição 10–16: ALTA       → Plano de mitigação ativo; revisão mensal
Exposição 17–25: CRÍTICA    → Tratamento prioritário; escalação ao Comitê Diretivo

60.5.5 Estratégias de Resposta

Cada risco recebe uma estratégia de resposta formalizada:

EstratégiaDescriçãoQuando Aplicar
EvitarEliminar a causa do riscoQuando o custo de prevenção é menor que o impacto esperado
MitigarReduzir probabilidade ou impactoRisco inevitável mas controlável
TransferirAlocar o risco a outra parte (seguros, contratos)Risco com melhor custo-benefício quando transferido
Aceitar (ativa)Monitorar e preparar plano de contingênciaRisco de baixa exposição ou sem mitigação viável
Aceitar (passiva)Registrar e não tomar ação adicionalRisco de exposição mínima e impacto negligenciável
ExplorarAproveitar a oportunidade associadaRiscos com face positiva (oportunidades)

60.6 Estrutura do Registro de Riscos

60.6.1 Campos Obrigatórios

Cada entrada no Registro de Riscos da Parceria (RRP) contém os seguintes campos obrigatórios:

CampoDescrição
IDIdentificador único no formato RRP-[DIM]-[NNN] (ex.: RRP-TEC-001)
TítuloDescrição concisa do risco em uma frase
DimensãoCódigo da dimensão (TEC, OPE, NEG, FIN, JUR, PAR, EXT)
DescriçãoNarrativa detalhada: causa raiz, evento de risco e consequência esperada
ProbabilidadeNível 1–5 com justificativa
ImpactoNível 1–5 com justificativa
ExposiçãoProbabilidade × Impacto
FaixaBaixa / Moderada / Alta / Crítica
Responsável pela ParceiraPapel nominal responsável pela resposta (ex.: Platform Operations Manager)
Responsável PRODEMGEPapel nominal responsável pelo acompanhamento (ex.: PRODEMGE Platform Officer)
Estratégia de RespostaEvitar / Mitigar / Transferir / Aceitar (ativa ou passiva) / Explorar
Plano de RespostaAções específicas, prazo e critérios de sucesso
Plano de ContingênciaAções caso o risco se materialize
GatilhosIndicadores ou eventos que sinalizam materialização iminente
StatusAberto / Em Tratamento / Monitorando / Encerrado / Materializado
Data de IdentificaçãoData de registro inicial
Última RevisãoData e resultado da revisão mais recente
Próxima RevisãoData programada para próxima revisão
HistóricoLog de alterações de probabilidade, impacto, status e estratégia

60.6.2 Identificador Único

O padrão de identificação RRP-[DIM]-[NNN] garante rastreabilidade permanente mesmo quando um risco é reclassificado de dimensão. A reclassificação mantém o ID original e registra a mudança no histórico. Nunca se reutiliza um ID encerrado.

60.6.3 Ferramenta de Suporte

O Registro de Riscos da Parceria é mantido na plataforma de gestão de projetos adotada pela parceria, com controle de acesso bipartite: ambas as partes têm acesso de leitura a todos os riscos e acesso de escrita aos riscos de sua dimensão primária de responsabilidade. Riscos compartilhados — onde ambas as partes têm responsabilidade de resposta — têm acesso de escrita para ambas, com registro de autoria de cada alteração.


60.7 Processo de Gestão de Riscos

O processo opera em cinco fases cíclicas e contínuas:

60.7.1 Fase 1 — Identificação

A identificação de riscos é atividade contínua e multicanal. Os canais de entrada são:

Reuniões de risco programadas: sessão mensal de revisão do RRP, com participação do Platform Operations Manager e do PRODEMGE Platform Officer, dedicada exclusivamente à identificação de novos riscos e revisão do status dos existentes.

Processo de projetos: o Capítulo 57 determina que riscos identificados no planejamento de cada projeto alimentam o RRP. O gerente de projeto é responsável por submeter os riscos de projeto com escopo de impacto para além do projeto ao Registro da Parceria.

Processo de mudanças: a avaliação de risco de cada Change Request (Capítulo 59) pode revelar riscos sistêmicos que transcendem a mudança específica. O CAB é ponto de identificação de riscos arquiteturais e operacionais recorrentes.

Processo de sustentação: o Capítulo 52 determina que incidentes recorrentes com causa raiz sistêmica geram itens de risco no RRP. O RCA de incidentes graves é insumo obrigatório de identificação.

Inputs externos: auditorias de segurança, relatórios de observabilidade com tendências preocupantes, alertas de vulnerabilidade em dependências, mudanças regulatórias e mudanças no ambiente político-institucional dos órgãos tenants.

Comunicação bilateral: qualquer membro das equipes da Parceira ou da PRODEMGE pode reportar um risco identificado. O processo não é exclusivo dos gestores — qualquer colaborador tem canal formal de reporte. Riscos reportados por qualquer canal são avaliados pelo Platform Operations Manager dentro de cinco dias úteis para registro ou descarte justificado.

60.7.2 Fase 2 — Análise e Qualificação

Cada risco identificado passa por análise estruturada antes do registro formal:

Análise qualitativa: atribuição de Probabilidade e Impacto na escala 1–5 com justificativa documentada. A qualificação é realizada em conjunto pelo responsável da Parceira e pelo responsável da PRODEMGE para os riscos de faixa Alta e Crítica — garantindo que a avaliação não seja unilateral nos riscos mais relevantes.

Análise causal: identificação da causa raiz (por que o risco existe), do evento de risco (o que acontece quando o risco se materializa) e da consequência (o impacto nos objetivos da parceria). A estrutura causa → evento → consequência previne o registro de sintomas como riscos e a confusão entre risco e impacto.

Relações entre riscos: identificação de riscos interdependentes — onde a materialização de um aumenta a probabilidade ou o impacto de outro. Riscos em cadeia são registrados com referência cruzada explícita. A gestão de um risco pode, involuntariamente, aumentar a exposição de outro se as interdependências não forem consideradas.

Alocação de responsabilidade: determinação de qual parte tem responsabilidade primária de resposta, consistente com a Matriz de Riscos contratual. Riscos alocados à Parceira têm a Parceira como responsável pela execução da resposta e a PRODEMGE como supervisora. Riscos alocados à PRODEMGE têm a PRODEMGE como executora e a Parceira como informada.

60.7.3 Fase 3 — Planejamento da Resposta

Para cada risco com exposição Moderada ou superior, um Plano de Resposta é elaborado contendo:

  • Estratégia: Evitar, Mitigar, Transferir ou Aceitar com justificativa;
  • Ações específicas: lista de ações concretas com prazo e responsável nominal por cada ação;
  • Indicadores de eficácia: métricas que evidenciarão se a resposta está funcionando;
  • Plano de Contingência: sequência de ações a executar se o risco se materializar apesar da resposta;
  • Gatilhos de ativação da contingência: condições objetivas que acionam o plano de contingência — não decisões subjetivas tomadas no calor do momento.

O Plano de Resposta é revisado e validado por ambas as partes antes de ser ativado. Para riscos de faixa Crítica, o Plano é homologado pelo Comitê de Gestão da Parceria antes da execução.

60.7.4 Fase 4 — Implementação e Monitoramento

A implementação das respostas é responsabilidade do titular designado no Registro. O monitoramento é contínuo e estruturado:

Para riscos de faixa Crítica: revisão semanal do status pelo Platform Operations Manager, com reporte ao Comitê de Gestão na reunião mensal e escalonamento imediato ao Comitê Diretivo caso a exposição não reduza após dois meses de resposta ativa.

Para riscos de faixa Alta: revisão mensal com atualização do status e da exposição residual — a exposição residual considera as respostas já implementadas e representa o risco que permanece mesmo após os controles. O objetivo é monitorar a redução de exposição ao longo do tempo.

Para riscos de faixa Moderada: revisão trimestral na Reunião de Governança mensal do Comitê de Gestão da Parceria.

Para riscos de faixa Baixa: revisão semestral ou quando um evento relevante altera o contexto.

Os gatilhos de cada risco são monitorados continuamente por meio dos dashboards de observabilidade (Capítulo 41) e dos indicadores de desempenho (Capítulo 62). A ativação automática de um alerta relacionado a um gatilho registrado aciona notificação ao responsável pelo risco para avaliação imediata.

60.7.5 Fase 5 — Encerramento e Aprendizado

Um risco é encerrado quando:

  • a causa raiz é eliminada e a probabilidade de materialização cai a zero;
  • a vigência do contexto que gerou o risco termina (ex.: encerramento de um projeto específico);
  • a parceria decide aceitar passivamente o risco com registro formal dessa decisão.

Riscos materializados — que se tornaram incidentes, inadimplências ou impactos concretos — são encerrados com status Materializado e geram automaticamente um registro de lição aprendida. A lição aprendida documenta: o que foi previsto, o que de fato ocorreu, o que a resposta planejada conseguiu e não conseguiu prevenir, e o que será diferente na gestão de riscos similares no futuro.

O repositório de lições aprendidas de risco é insumo obrigatório de cada nova sessão de identificação — o time não parte do zero; parte do acumulado de sessenta meses de operação.


60.8 Registro de Riscos Inicial da Parceria

O Plano de Negócio Referencial e o Capítulo 5 do Documento Mestre estabelecem os riscos iniciais da parceria. Este capítulo expande esses riscos com o detalhamento operacional necessário para gestão efetiva, acrescentando riscos técnicos e operacionais identificados no processo de elaboração da proposta técnica:

60.8.1 Riscos de Negócio e Adoção

IDTítuloPIExpFaixaEstratégia Principal
RRP-NEG-001Adoção inferior ao esperado pelos órgãos públicos3412AltaMitigar
RRP-NEG-002Baixa maturidade digital dos entes públicos participantes3412AltaMitigar
RRP-NEG-003Dependência do ciclo orçamentário e restrições fiscais dos órgãos4416AltaMitigar
RRP-NEG-004Crescimento inferior da base de clientes ao projetado no Plano de Negócio3412AltaMitigar
RRP-NEG-005Variação acentuada na volumetria de serviços (UST) contratados339ModeradaAceitar (ativa)

Plano de Resposta — RRP-NEG-001 (Adoção inferior ao esperado):

  • Estratégia de expansão por fases (Estado → municípios → Poder Judiciário), com metas de adesão por trimestre;
  • Realização de POCs e projetos piloto nos primeiros 180 dias para demonstração de valor tangível;
  • Atuação comercial coordenada com uso da capilaridade institucional da PRODEMGE;
  • Indicador de alerta: menos de 3 órgãos em onboarding ativo ao final do primeiro ano → revisão de estratégia no Comitê Diretivo.

Plano de Resposta — RRP-NEG-003 (Ciclo orçamentário):

  • Planejamento de contratação alinhado ao calendário de LOA e LDO dos órgãos participantes;
  • Diversificação da base de clientes entre estado, municípios e outros poderes para reduzir concentração de risco orçamentário;
  • Estruturação de contratos com vigência plurianual vinculada à disponibilidade orçamentária formal.

60.8.2 Riscos Técnicos de Plataforma

IDTítuloPIExpFaixaEstratégia Principal
RRP-TEC-001Complexidade de integração com sistemas legados dos órgãos4416AltaMitigar
RRP-TEC-002Falha de disponibilidade acima dos limites de SLA contratado3412AltaMitigar
RRP-TEC-003Incidente de segurança com exposição de dados de cidadãos2510AltaMitigar
RRP-TEC-004Acúmulo de dívida técnica comprometendo evolução da plataforma339ModeradaMitigar
RRP-TEC-005Obsolescência de dependências críticas sem substituto imediato248ModeradaAceitar (ativa)
RRP-TEC-006Falha de isolamento multi-tenant com vazamento entre órgãos155ModeradaMitigar
RRP-TEC-007Degradação de performance sob carga de pico não prevista339ModeradaMitigar

Plano de Resposta — RRP-TEC-001 (Integração com legados):

  • Uso de APIs padronizadas via MG-API e Datalake MG como camada de abstração;
  • Planejamento técnico estruturado de integração com envolvimento das equipes do órgão desde o início do onboarding;
  • Times espelho com responsável técnico de cada parte designado para cada integração crítica;
  • Gatilho de alerta: integração com prazo de implementação > 60% acima do estimado → escalação ao Comitê de Gestão.

Plano de Resposta — RRP-TEC-003 (Incidente de segurança):

  • Arquitetura de segurança em profundidade conforme Capítulo 42;
  • Controles de IAM com menor privilégio e segregação por tenant (Capítulo 43);
  • Monitoramento contínuo de vulnerabilidades e SAST/DAST no pipeline (Capítulo 40);
  • Plano de Resposta a Incidentes de Segurança (PRIS) com tempo de contenção < 4h para incidentes críticos;
  • Plano de Contingência: ativação do PRIS → isolamento do tenant afetado → notificação à ANPD em até 72h (LGPD, Art. 48) → comunicação pública via status page.

Plano de Resposta — RRP-TEC-004 (Dívida técnica):

  • Reserva mínima de 20% da capacidade de cada ciclo dedicada ao pagamento de dívida técnica, conforme ADR-1707 do Capítulo 57;
  • Registro de débitos técnicos no backlog com pontuação de impacto e prazo máximo;
  • Indicador de alerta: razão de dívida técnica > 30% do backlog → revisão de prioridades no Comitê de Evolução.

60.8.3 Riscos Operacionais de Serviço

IDTítuloPIExpFaixaEstratégia Principal
RRP-OPE-001Descumprimento de SLA de disponibilidade em múltiplos tenants248ModeradaMitigar
RRP-OPE-002Capacidade insuficiente de suporte em pico de demanda339ModeradaMitigar
RRP-OPE-003Falha do processo de on-call com atraso na resposta a incidentes críticos248ModeradaMitigar
RRP-OPE-004Onboarding de tenant com impacto em tenants existentes236ModeradaMitigar
RRP-OPE-005Degradação de dados por erro de migration sem rollback viável155ModeradaMitigar

Plano de Resposta — RRP-OPE-001 (Descumprimento de SLA):

  • Arquitetura multi-AZ com failover automático (Capítulo 47);
  • Monitoramento em tempo real com alertas antes da violação do SLA (Capítulo 41);
  • Plano de comunicação proativa a tenants com previsão de resolução (Capítulo 52);
  • Plano de Contingência: ativação do processo de comunicação de incidente grave → DRP → crédito de SLA automático conforme cláusulas contratuais.

Plano de Resposta — RRP-OPE-005 (Degradação por migration):

  • Padrão Expand-Migrate-Contract obrigatório para toda migration de schema (Capítulo 59);
  • Backup validado do ambiente de produção obrigatório antes de qualquer migration;
  • Teste de migration e rollback em staging com volume de dados equivalente ao de produção;
  • Nenhuma migration sem rollback testado é promovida ao CAB.

60.8.4 Riscos Financeiros

IDTítuloPIExpFaixaEstratégia Principal
RRP-FIN-001Sustentabilidade econômico-financeira da parceria em risco2510AltaMitigar
RRP-FIN-002Inadimplência ou atraso de pagamento por órgão participante339ModeradaAceitar (ativa)
RRP-FIN-003Variação cambial com impacto em licenças e serviços em moeda estrangeira236ModeradaAceitar (ativa)

Plano de Resposta — RRP-FIN-001 (Sustentabilidade financeira):

  • Monitoramento mensal de indicadores financeiros da parceria: receita, margem operacional, VPL e TIR projetados vs. realizados;
  • Revisão semestral do modelo de precificação com ajuste para refletir condições de mercado;
  • Gatilho de alerta: margem operacional abaixo de 15% por dois trimestres consecutivos → revisão no Comitê Diretivo com proposta de ajuste.

60.8.5 Riscos Jurídicos e de Conformidade

IDTítuloPIExpFaixaEstratégia Principal
RRP-JUR-001Violação de LGPD com notificação regulatória ou sanção2510AltaMitigar
RRP-JUR-002Litígio sobre propriedade intelectual de ativos cocriados248ModeradaMitigar
RRP-JUR-003Mudança regulatória que exige reestruturação da plataforma248ModeradaAceitar (ativa)
RRP-JUR-004Auditoria pública do TCE-MG ou CGE-MG com achados formais339ModeradaMitigar

Plano de Resposta — RRP-JUR-001 (Violação de LGPD):

  • Framework de conformidade com LGPD conforme Capítulo 44: privacy by design, minimização de dados, controles de consentimento e retenção;
  • DPO com autoridade para suspender processamento de dados em risco (Capítulo 44);
  • Processo formal de atendimento a requisições de titulares de dados com SLA de 15 dias úteis;
  • Plano de Contingência: notificação à ANPD em até 72h, comunicação aos titulares afetados, auditoria forense dos logs de acesso.

Plano de Resposta — RRP-JUR-004 (Auditoria pública):

  • Rastreabilidade auditável de todas as atividades da plataforma (Capítulo 45) como postura preventiva permanente;
  • Documentação contratual e de entrega mantida e acessível em repositório controlado;
  • Processo de resposta a demandas de auditoria com ponto focal designado em cada parte.

60.8.6 Riscos de Parceria e Relacionamento

IDTítuloPIExpFaixaEstratégia Principal
RRP-PAR-001Risco na integração técnica entre as equipes das partes3412AltaMitigar
RRP-PAR-002Dependência tecnológica da Parceira sem transferência de conhecimento3412AltaMitigar
RRP-PAR-003Desalinhamento de expectativas sobre escopo de entregas339ModeradaMitigar
RRP-PAR-004Rotatividade de equipe-chave na Parceira com impacto em continuidade248ModeradaMitigar
RRP-PAR-005Lacunas de responsabilidade em situações não previstas no contrato236ModeradaAceitar (ativa)

Plano de Resposta — RRP-PAR-001 (Integração técnica entre equipes):

  • Formação de times espelho com responsável técnico de cada parte designado para cada domínio crítico;
  • Documentação técnica compartilhada como ativo da parceria, não propriedade exclusiva da Parceira;
  • Validações conjuntas em pontos de integração antes de cada release significativo.

Plano de Resposta — RRP-PAR-002 (Dependência tecnológica):

  • Programa de capacitação contínua das equipes técnicas da PRODEMGE (Capítulo 50);
  • Custódia de código-fonte na PRODEMGE com acesso permanente ao repositório (Capítulo 58);
  • Transferência de conhecimento estruturada com critérios de conclusão verificáveis, não declarativos.

60.8.7 Riscos Externos

IDTítuloPIExpFaixaEstratégia Principal
RRP-EXT-001Mudança político-institucional com impacto nas prioridades do Estado339ModeradaAceitar (ativa)
RRP-EXT-002Evento climático ou físico com impacto na infraestrutura de data center144BaixaAceitar (ativa)
RRP-EXT-003Obsolescência de LLM ou serviço de IA de terceiro adotado236ModeradaMitigar

Plano de Resposta — RRP-EXT-003 (Obsolescência de IA):

  • Arquitetura de LLM Gateway com abstração do provedor (Capítulo 16), permitindo troca de modelo sem reescrita de aplicação;
  • Avaliação semestral de alternativas de LLM no mercado e viabilidade de migração;
  • Testes de validação de qualidade de respostas a cada atualização de modelo ou provedor.

60.9 Cadência e Cerimônias de Gestão de Riscos

60.9.1 Calendário Padrão

CerimôniaFrequênciaParticipantesProduto
Sessão de Identificação de RiscosMensalPlatform Operations Manager, PRODEMGE Platform OfficerNovos riscos registrados; gatilhos revisados
Revisão de Riscos Críticos e AltosMensalIdem + responsáveis por riscos afetadosStatus atualizado; ações com prazo revisadas
Reporte ao Comitê de GestãoMensalComitê de Gestão da Parceria (Cap. 56)Seção de riscos na pauta; escalonamentos formalizados
Revisão de Riscos ModeradosTrimestralPlatform Operations Manager, PRODEMGE Platform OfficerReavaliação de probabilidade e impacto; planos atualizados
Revisão Anual do FrameworkAnualComitê DiretivoAdequação das estratégias ao cenário; aprovação do RRP revisado
Revisão ExtraordináriaPor eventoResponsáveis pelo risco afetadoReavaliação de exposição e plano de resposta

60.9.2 Triggers de Revisão Extraordinária

Os seguintes eventos acionam revisão extraordinária do Registro de Riscos, independentemente do calendário:

  • incidente de severidade SEV-1 com duração superior a 2 horas;
  • violação de SLA contratual por mais de uma semana consecutiva;
  • adição de novo tenant de grande porte (> 100.000 usuários esperados);
  • mudança regulatória publicada com impacto no setor público digital;
  • mudança contratual formal (aditivo);
  • rotatividade de cargo-chave em qualquer das partes (Platform Operations Manager, PRODEMGE Platform Officer, Gestor do Contrato);
  • incidente de segurança com notificação à ANPD.

60.10 Escalonamento de Riscos

O processo de escalonamento segue a estrutura de governança definida no Capítulo 56:

Risco identificado ou com exposição aumentada
        │
Avaliação pelo responsável da dimensão
        │
        ├─ Exposição Baixa/Moderada → Tratamento no nível operacional
        │                              Reporte na reunião mensal de gestão
        │
        ├─ Exposição Alta → Reporte obrigatório ao Comitê de Gestão da Parceria
        │                   Plano de Mitigação com prazo aprovado pelo Comitê
        │
        └─ Exposição Crítica → Escalonamento imediato ao Comitê Diretivo
                               Plano de resposta homologado antes da execução
                               Reporte de status a cada 15 dias até redução de faixa

Riscos que permanecem em faixa Crítica por mais de 60 dias, apesar de plano de resposta ativo, são considerados riscos residuais estruturais da parceria e são avaliados pelo Comitê Diretivo para decisão sobre adequação do escopo ou dos termos contratuais.


60.11 Integração com Outros Processos

A gestão de riscos não opera em isolamento. As integrações com os demais processos da parceria garantem que o Registro de Riscos seja alimentado e consultado continuamente:

ProcessoFluxo de Integração
Governança da Parceria (Cap. 56)Riscos de faixa Alta e Crítica compõem pauta obrigatória das reuniões do Comitê de Gestão; riscos Críticos são pautados no Comitê Diretivo
Gestão de Projetos e Entregas (Cap. 57)Riscos de projeto com impacto para além do projeto alimentam o RRP; riscos do RRP são insumo do planejamento de projetos
Gestão de Mudanças (Cap. 59)A avaliação de risco de cada CR consulta o RRP para identificar riscos sistêmicos relacionados; CRs que ativam gatilhos de riscos registrados são tratadas com atenção aumentada pelo CAB
Operação e Sustentação (Cap. 51–52)Incidentes graves com causa raiz sistêmica geram registros de risco no RRP; gatilhos de risco monitorados pelos dashboards de observabilidade acionam alerta ao responsável
SLA (Cap. 53)Riscos de descumprimento de SLA compõem categoria específica do RRP; tendências de degradação de SLA ativam revisão dos riscos operacionais correspondentes
Continuidade de Negócio (Cap. 47)Os cenários de disaster recovery mapeados no Cap. 47 são a contingência de uma classe de riscos técnicos críticos; o DRP é o plano de contingência formal para RRP-TEC-002 e RRP-OPE-005
Segurança (Cap. 42–46)Vulnerabilidades identificadas em auditorias ou scans geram entradas no RRP na dimensão TEC; o PRIS é o plano de contingência para RRP-TEC-003 e RRP-JUR-001
LGPD (Cap. 44)Riscos de não conformidade com LGPD são registrados na dimensão JUR com responsável DPO; o processo de privacidade by design mitiga ativamente RRP-JUR-001
Indicadores e Métricas (Cap. 62)Indicadores de desempenho da parceria são os gatilhos quantitativos dos riscos de negócio e operacionais; desvios de indicadores acionam reavaliação dos riscos correspondentes
Matriz de Responsabilidades (Cap. 61)Responsabilidades de resposta a riscos são atribuídas conforme a Matriz RACI; lacunas de responsabilidade detectadas na operação são registradas como riscos na dimensão PAR

60.12 Gestão de Oportunidades

O framework reconhece que o processo de identificação de riscos também revela oportunidades — eventos incertos com impacto positivo nos objetivos da parceria. Oportunidades são registradas no RRP com campos adaptados:

CampoConteúdo para Oportunidade
EstratégiaExplorar / Compartilhar / Melhorar / Aceitar
Plano de RespostaAções para aumentar a probabilidade ou o impacto positivo

Exemplos de oportunidades registradas no contexto da parceria:

  • OPP-NEG-001: aceleração da transformação digital no Estado de Minas Gerais criando janela de onboarding de múltiplos órgãos simultaneamente — oportunidade de escala acelerada com compartilhamento de componentes;
  • OPP-TEC-001: amadurecimento de novos modelos de IA com custo reduzido ampliando capacidade do assistente inteligente sem acréscimo de custo operacional;
  • OPP-PAR-001: projeto da parceria sendo reconhecido como referência no setor público digital ampliando a reputação de ambas as partes e atraindo novos tenants espontaneamente.

60.13 Indicadores de Desempenho da Gestão de Riscos

IndicadorDescriçãoMeta
Cobertura do RRP% de dimensões com ao menos um risco registrado e atualizado100%
Riscos sem revisão no prazoRiscos com data de próxima revisão vencidaZero
Riscos Críticos sem plano ativoRiscos de faixa Crítica sem Plano de Resposta em execuçãoZero
Taxa de materialização% de riscos registrados que se materializaram no trimestreMonitoramento (sem meta fixa — é indicador de aprendizado)
Tempo de registro de novo riscoTempo entre identificação e registro formal no RRP≤ 5 dias úteis
Cobertura de gatilhos monitorados% de riscos de faixa Alta e Crítica com gatilho monitorado automaticamente≥ 80%
Riscos com lição aprendida registrada% de riscos Materializados com lição aprendida documentada100%

Os indicadores são reportados trimestralmente ao Comitê de Gestão da Parceria e integrados ao dashboard de governança descrito no Capítulo 62.


60.14 Riscos e Mitigações da Própria Gestão de Riscos

O processo de gestão de riscos tem suas próprias vulnerabilidades, que precisam ser reconhecidas e endereçadas:

Risco do ProcessoConsequênciaMitigação
Registro formalístico sem uso realRRP torna-se documento de conformidade sem valor operacionalIntegração obrigatória com reuniões de governança e planejamento de projetos; revisão do RRP como pauta estruturada, não item de AOB
Avaliação de probabilidade e impacto inconsistente entre partesRiscos subestimados ou superestimados gerando má alocação de atençãoQualificação conjunta obrigatória para riscos de faixa Alta e Crítica; uso de escala explícita com critérios documentados
Identificação tardia de riscos novosTempo insuficiente para resposta antes da materializaçãoCanal aberto de reporte por qualquer membro das equipes; revisão de insumos externos (observabilidade, auditorias) como parte da sessão mensal
Planos de contingência não testadosContingência falha no momento crítico — quando mais necessáriaSimulações periódicas de cenários de risco alto (tabletop exercises) na reunião trimestral
Acúmulo de riscos encerrados prematuramenteRiscos reaparecem sem registro históricoEncerramento somente com justificativa formal revisada pelo PRODEMGE Platform Officer; riscos recorrentes são escalados como risco sistêmico
Ausência de lição aprendida após materializaçãoMesmos riscos se materializam repetidamenteLição aprendida como campo obrigatório para encerramento com status Materializado; revisão de lições em cada sessão de identificação

60.15 Benefícios do Framework

Antecipação. Riscos tratados antes da materialização custam uma fração do custo de recuperação pós-incidente. O framework investe na prevenção, não na reação.

Transparência bilateral. A gestão de riscos compartilhada elimina a assimetria de informação entre as partes. Nenhuma das partes é surpreendida por um risco que a outra já conhecia — a comunicação imediata é obrigação, não cortesia.

Decisões mais informadas. O Comitê Diretivo e o Comitê de Gestão tomam decisões sobre escopo, prioridade e investimento com o mapa de riscos como insumo explícito, não como intuição não documentada.

Conformidade contratual. O Registro de Riscos operacionaliza a Matriz de Riscos contratual (Cláusula 10 do Contrato), demonstrando que a alocação de responsabilidades não é estática — é gerida ativamente ao longo dos sessenta meses.

Aprendizado acumulado. O repositório de lições aprendidas transforma cada materialização de risco em insumo de melhoria. Ao final de cinco anos, esse repositório tem valor crescente para ambas as partes.

Confiança entre as partes. Uma parceria de longo prazo com obrigações de missão pública requer confiança. O processo de gestão de riscos estruturado — com registro, revisão e reporte bilaterais — é um dos mecanismos que constrói e mantém essa confiança ao longo do tempo.


60.16 Impactos Arquiteturais

A gestão de riscos tem impacto direto sobre decisões arquiteturais da plataforma:

Sobre arquitetura de segurança: o perfil de risco identificado — especialmente RRP-TEC-003 e RRP-JUR-001 — justifica a profundidade dos controles de segurança descritos nos Capítulos 42 a 46. Não são controles de conformidade formal: são respostas a riscos qualificados com impacto crítico.

Sobre arquitetura de disponibilidade: RRP-TEC-002 e RRP-OPE-001 justificam a arquitetura multi-AZ, os RTO/RPO definidos por domínio e o investimento em Disaster Recovery Plan testado trimestralmente (Capítulo 47).

Sobre abstração de provedores de IA: RRP-EXT-003 justifica o padrão de LLM Gateway com abstração do provedor (Capítulo 16). A decisão arquitetural não é apenas de elegância técnica — é mitigação de risco de lock-in com impacto operacional qualificado.

Sobre modularidade multi-tenant: RRP-TEC-006 (falha de isolamento) justifica a segregação lógica completa por tenant com validação automática de isolamento no pipeline de CI/CD.

Sobre documentação e transferência de conhecimento: RRP-PAR-002 (dependência tecnológica) justifica o programa de capacitação (Capítulo 50) e a custódia de código-fonte (Capítulo 58) como controles arquiteturais da parceria, não apenas operacionais.


60.17 Relacionamento com Outros Capítulos

CapítuloRelação com este Capítulo
Capítulo 5 — Modelo de NegócioDefine o mapeamento inicial de riscos do modelo que este capítulo expande e operacionaliza
Capítulo 47 — Continuidade de NegócioO DRP é o plano de contingência formal para os riscos técnicos de disponibilidade e dados
Capítulo 51 — Operação e Gestão de ServiçosIncidentes operacionais graves são inputs de identificação de riscos; o RRP orienta o nível de atenção nas operações
Capítulo 52 — Sustentação e SuporteRCAs de incidentes recorrentes geram entradas no RRP na dimensão OPE
Capítulo 53 — SLARiscos de descumprimento de SLA são monitorados com gatilhos nos dashboards de disponibilidade
Capítulo 56 — Governança da ParceriaOs Comitês de Gestão e Diretivo são as instâncias de escalonamento e decisão sobre riscos de faixa Alta e Crítica
Capítulo 57 — Gestão de Projetos e EntregasRiscos de projeto com escopo de parceria alimentam o RRP; riscos do RRP são insumo do planejamento de cada projeto
Capítulo 59 — Gestão de MudançasA avaliação de risco de CRs consulta o RRP; a gestão de mudanças é o mecanismo de mitigação de riscos técnicos de deploy
Capítulo 61 — Matriz de ResponsabilidadesResponsabilidades de resposta a riscos são derivadas da matriz RACI; lacunas de responsabilidade são registradas como riscos na dimensão PAR
Capítulo 62 — Indicadores e MétricasOs indicadores de desempenho da parceria são os gatilhos quantitativos dos riscos; desvios de indicadores acionam revisão dos riscos correspondentes

60.18 Rastreabilidade PRODEMGE

Edital CP 001/2026:

  • A estruturação de um framework formal de gestão de riscos demonstra maturidade de gestão compatível com a natureza estratégica de uma parceria de sessenta meses com impacto direto no relacionamento do Estado de Minas Gerais com os cidadãos.

Plano de Negócio (Anexo I):

  • Seção 4.3 — Gestão de Riscos: o Plano de Negócio estabelece a obrigação de adoção de medidas proativas de mitigação, revisão anual das estratégias e comunicação imediata de novos riscos. Este capítulo operacionaliza essas obrigações com processo, cadência e papéis definidos.
  • Seção 4.3.1 — Comprometimento bilateral com mitigação proativa: o processo de identificação multicanal e a sessão mensal de revisão evidenciam a postura proativa.
  • Seção 4.3.5 — Matriz de riscos referencial: os riscos de negócio iniciais foram expandidos e completados com riscos técnicos, operacionais, jurídicos e de parceria, cada um com plano de resposta detalhado.

Minuta de Contrato (Anexo VII):

  • Cláusula 10.1 — Matriz de Riscos: o Registro de Riscos da Parceria é a operacionalização viva da Matriz de Riscos contratual, mantida e atualizada ao longo de toda a vigência.
  • Cláusula 10.2 — Vedação de aditivos por riscos alocados à Parceira: os riscos claramente alocados à Parceira (técnicos, operacionais e de entrega) têm planos de resposta sob responsabilidade primária da Parceira, consistente com a vedação contratual.

Funcionalidades (Anexo III):

  • Bloco 6 — Infraestrutura, Segurança e Governança: a gestão formal de riscos é componente da governança da solução avaliada neste bloco.

Capacidades (Anexo IV):

  • Bloco 4 — Capacidade de Atuação em Parceria: o framework bilateral de gestão de riscos com processo, papéis e cadências definidas evidencia capacidade de atuação em parceria de longo prazo.

Sustentabilidade (Anexo V):

  • Bloco 3 — Estrutura de Governança: o Comitê de Gestão da Parceria como instância de revisão de riscos e o Comitê Diretivo como instância de escalonamento são evidências de governança corporativa estruturada, com instâncias decisórias formais e processos documentados.

60.19 Decisões Arquiteturais — ADR

ADRTemaDecisão
ADR-1801Registro de Riscos unificado vs. registros por dimensãoRegistro único da Parceria (RRP) com visões filtradas por dimensão; garante visão integrada e evita fragmentação que impede identificação de interdependências
ADR-1802Qualificação unilateral vs. bilateral de riscosQualificação conjunta obrigatória para riscos de faixa Alta e Crítica; reduz viés de subestimação e promove alinhamento de percepção de risco entre as partes
ADR-1803Ferramenta dedicada de risco vs. seção em ferramenta de projetosUso da plataforma de gestão de projetos já adotada pela parceria com módulo de riscos configurado; evita fragmentação de ferramentas e preserva rastreabilidade entre riscos e projetos
ADR-1804Revisão de riscos de faixa Crítica semanal vs. mensalRevisão semanal para riscos Críticos; a cadência mensal é insuficiente para riscos com potencial de impacto irreversível em janela curta
ADR-1805Gatilhos de risco manuais vs. automatizadosGatilhos monitorados automaticamente via dashboards de observabilidade para riscos de faixa Alta e Crítica com indicador quantificável; gatilhos qualitativos monitorados nas sessões mensais

60.20 Resumo

A gestão de riscos da parceria PRODEMGE é um processo contínuo, bilateral e integrado que opera em cinco fases cíclicas: identificação multicanal, análise e qualificação estruturada, planejamento de resposta proporcional, implementação com monitoramento de gatilhos, e encerramento com aprendizado sistematizado.

O Registro de Riscos da Parceria (RRP) é o instrumento central do framework — documento vivo com identificador único por risco, responsável nominal, estratégia de resposta documentada e histórico de revisões rastreável. O RRP opera sobre uma taxonomia de sete dimensões (TEC, OPE, NEG, FIN, JUR, PAR, EXT) e uma matriz de exposição de cinco níveis em cada eixo, gerando faixas de tratamento obrigatório que determinam cadência de revisão, obrigatoriedade de plano de resposta e nível de escalonamento.

Os riscos inicialmente identificados no Plano de Negócio Referencial foram expandidos com trinta e três entradas cobrindo todas as dimensões, cada uma com análise de probabilidade, impacto, exposição e estratégia de resposta. Os riscos de maior exposição — integração com sistemas legados, dependência do ciclo orçamentário, sustentabilidade financeira da parceria, incidente de segurança com exposição de dados de cidadãos e violação de LGPD — têm planos de resposta detalhados e planos de contingência formalizados.

A integração com os demais processos de gestão — governança, projetos, mudanças, sustentação, SLA, observabilidade e indicadores — garante que o Registro de Riscos seja alimentado continuamente e consultado nas decisões relevantes, não apenas em sessões periódicas de revisão formal. O resultado é um framework que converte a gestão de riscos de obrigação contratual em vantagem operacional: a parceria que conhece e trata seus riscos sistematicamente tem mais previsibilidade, mais confiança entre as partes e mais resiliência ao longo dos sessenta meses de vigência.


60.21 Próximo Capítulo

O Capítulo 61 — Matriz de Responsabilidades — consolida em formato RACI a distribuição de responsabilidades entre PRODEMGE e Parceira para todos os processos críticos identificados ao longo dos sessenta capítulos do Documento Mestre, operacionalizando a visão de parceria estruturada e complementar que atravessa toda a proposta técnica.


60.22 Controle de Versão

CampoValor
DocumentoDocumento Mestre — Plataforma de Relacionamento Digital com o Cidadão
Capítulo60 — Gestão de Riscos
Versão1.0
SituaçãoConcluído
Última atualização17/07/2026

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